
A Tradição Egípcia - Introdução ao Paganismo Khemético por Zoriander de Zolthar
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Este é um Texto sobre o Paganismo Khemético(de KHEMET= "a Terra Negra",nome nativo do Egito Antigo),que busca restaurar o Culto,a Metafísica,a Cosmogonia e a Adoração dos Deuses Egípcios Ancestrais.
O Paganismo Khemético é chamado também de Netjerismo,palavra baseada em NETJER, denominação dada para os Deuses Kheméticos Antigos.
Parte 1 - Único povo do mundo antigo a erigir uma Religião nacional em torno da doutrina da Imortalidade da Alma, os Egípcios foram também os primeiros a pregar um Monoteísmo Universal, a Providência Divina, e as Recompensas e punições depois da Morte. Fonte de normas de moralidade pessoal e social, influencia até hoje o comportamento de várias Nações.
A Religião dos Antigos Egípcios evoluiu, gradativamente, de um simples Politeísmo para um Monoteísmo filosófico. No início, cada localidade possuia seus próprios Deuses e representações das Forças da Naturez,chamadas de NETJER ou "Princípios Divinos".
Com a unificação do Baixo e do Alto Egito, no Antigo Império - aproximadamente em 3.000 a.C. -, houve uma fusão de Divindades. Todas as Divindades protetoras foram consubstanciadas em Rá, o Deus-Sol. Mais adiante, com a ascenção de uma Dinastia Tebana ao poder (início do Médio Império, por volta de 2.000 a.C.), passou-se a chamar Amon ou Amon-Rá, nome do deus principal de Tebas.RÁ, o Sol, é a principal Divindade Solar Egípcia.
Para alguns, Rá nasceu de uma flor de lótus que, ao amanhecer, abre-se para libertar o Sol e, ao anoitecer, fecha-se protegendo o Astro. Para outros, Rá surgiu nos céus na forma de Bennou, a Ave Fênix do Sol,que morre e renasce cíclicamente durante as Criações dos Sistemas Estelares. Outra lenda diz que o Sol é o pai dos deuses e de todas as criaturas vivas.
As Divindades Elementais, isto é, os deuses que representavam os poderes da Natureza, fundiram-se em Osíris. Durante toda a história do Egito, Rá e Osíris rivalizariam entre si pela Supremacia. Isto, de um ponto de vista Político-cultural, pois, na verdade, os dois representavam faces diferentes de um mesmo Princípio.
Já a partir da V Dinastia (entre 2.563 e 2.423 a.C.), os Faraós passaram a se chamar Filhos de Rá. O governo era uma Teocracia e o absolutismo do Rei era exercido em nome do Deus Supremo.
De acordo com suas crenças, era o Deus, como personificação da justiça e da ordem social, que de fato governava - o Monarca era seu agente, seu mensageiro. Como “filho de Rá”, o Rei era considerado divino. Não se podia sequer mencioná-lo pelo nome, referiam-se a ele como Faraó - do egípcio Per-o, que significa “A Casa Grande” ou “Casa Real”.
Não podia casar-se com qualquer pessoa que não fosse sua parente próxima e a Divindade não o excluia de árduos serviços em prol do bem público. Durante o Antigo Império, o culto de Rá servia como Religião oficial e sua função principal era dar Imortalidade ao Estado e ao Povo. O Faraó mantinha na terra a lei do Deus. Acreditava-se que a mumificação do corpo do Faraó e sua conservação em um túmulo eterno contribuiria simbólicamente,para a Existência Eterna da Nação. HÁTOR é originalmente, a Deusa dos Céus.
É a Grande Sacerdotisa do panteão egípcio, Deusa da Música e da Dança, protetora dos Prazeres e do Amor. É geralmente representada com uma Coroa composta de dois chifres (da vaca sagrada, animal que a representa) com o Disco Solar no meio. Os Faraós eram iniciados mas, não necessariamente, evoluídos os bastante para terem atingido o Adeptado Superior dos Mistérios Sacerdotais. Havia no Egito três Centros de Mistérios: Ábidos, Hermópolis e Heliópolis. Três Santuários nos quais se concentrou o saber dos Sacerdotes Egípcios,dos Videntes e dos Magos-feiticeiros Ancestrais. Aos profanos jamais era admitida a entrada em seu recinto sagrado, pois tais Santuários, em época pré-histórica, preservavam as Memórias Ancestrais da Etnia Khemética e das origens históricas do Egito.
Parece ter sido em Ábidos, constituído po sete capelas consagradas e arcada constelada de estrelas, onde foi enterrado o próprio Osíris, o homem-Deus. Osíris teria sido o Homem-Sábio que introduziu a Civilização no Egito, tirando o povo da barbárie. Os Sacerdotes de Osíris tinham como incubência preservar o Osirianismo e seus mistérios a qualquer preço.
O que se vê, durante toda a História, como a volta aos Mitos de nossas origens e a busca de maior contato com os poderes da Natureza, é a perpetuação desse compromisso. Ábidos foi o primeiro Santuário do culto de Osíris, a primeira grande Loja para os ritos secretos dessa Religião, para os Mistérios Ancestrais que originariam mais tarde a Franco-Maçonaria primitiva. Os Mistérios do segundo centro, Hermópolis, estabelece a aproximação da Revelação na Tradição Egípcia (simbolizada por Tot-Hermes) com a Tradição Mediterrânea do Deus Hermes(Grego)e Artumes (Etrusco).
Como se sabe, o termo Hermético (de Hermes) passou a significar tudo o que é referido às Ciências Tradicionais, aos Mistérios Iniciáticos do Paganismo Antigo.THOT é o Senhor das Palavras, criador da fala e inventor da escrita. Mais tarde tornou-se o Deus do Tempo e das Medidas. Teve importante papel no mito de Osíris, pois foi o advogado do deus assassinado e de seu filho Hórus.
A divulgação - para quem fosse digno disso - dos Mistérios acumulados em Hermópolis foi a função da Irmandade de Heliópolis,uma Sociedade Secreta que fundiu-se com o Culto de Hermes na Grécia e deu origem à Alquimia Medieval.
A importância de Heliópolis é atestada até pelo cristianismo; no Novo Testamento, diz-se que seria em Heliópolis que a Sagrada Família teria repousado por ocasião da fuga para o Egito. Em grego, Heliópolis significa “a cidade do Sol”. denominação que substituiu o antigo nome Egípcio que tinha o mesmo significado. Na Iniciação de base solar, destaca-se essa Comunidade Espiritual - a Irmandade de Heliópolis - que guiava os Sacerdotes Egípcios, como deveria guiar mais tarde os Druidas Gauleses e os Gnósticos Alexandrinos e todos que, no decorrer da História, tiveram em suas mãos a chave dos Grandes Mistérios.OSÍRIS é o mais importante Deus da mitologia egípcia. Rei dos deuses, foi quem introduziu a Civilização no Egito. Governava ao lado de sua esposa-irmã ISIS, mas era invejado por seu irmão Set que o assassinou e cortou seu corpo em 14 pedaços. ISIS conseguiu juntá-los e dar nova vida ao deus.
Com a descoberta e profanação de pirâmides e tumbas, a curiosidade em torno da cultura e, sobretudo, da religião egípcia, das múmias, promovida pelos meios de comunicação, muito se especulou e divulgou-se fatos fantasiosos e distorcidos que não eram reais. Estamos muito longe de partilhar dos Antigos Mistérios no que depender de estudos arqueológicos.
Sobre os túmulos, um iniciado da Irmandade de Heliópolis relatou, em 1947, ao escritor Paul Brunton:“Os túmulos dos grandes Adeptos são muito bem guardados, para que nunca sejam vasculhados por ‘escavadores’; não são túmulos de mortos, mas de vivos. Não contém múmias, mas sim os Corpos dos Adeptos em um estado específico, que apenas o termo ‘transe’ pode aproximadamente descrever. Já foi constatada, na Índia, a existência de Faquires que se deixam enterrar por um período variável, durante o qual seus corpos ficam em transe.
O funcionamento de suas vias respiratórias é inteiramente suspenso enquanto permanecem sepultados. Até certo ponto, o estado dos Adeptos Egípcios é análogo, mas seu Conhecimento vai muito mais adiante, já que mantiveram seus corpos vivendo, ainda que em transe, por milhares de anos (...).
"MAAT é a Deusa da Verdade, da Justiça e da Harmonia-Ordem do Universo e da realidade. Filha de Rá e de um passarinho que apaixonando-se pela luminosidade e calor do Sol, subiu em sua direço até morrer queimado. No momento da incineração uma pena voou. Era Maat. É a pena usada por Anúbis para pesar o coraçáo daqueles que ingressam no Duat,o Reino Extra-físico dos Mortos.. "
As idéias dos egípcios sobre o Pós-morte atingiram seu completo desenvolvimento no período final do Médio Império. Primeiramente acreditava-se que o morto continuava sua vida na tumba; com o Amadurecimento Teológico, foi adotada a concepção do julgamento diante de Osíris, que compreendia três estágios:
1) exigia-se que o morto se declarasse inocente de quarenta e dois pecados, dentre os quais o Homicídio, o Furto, a Mentira, a Cobiça, a Ira, o Adultério, a Blasfêmia, o Orgulho e a Desonestidade em transações comerciais;
2) afirmar suas virtudes, confessar que satisfez a vontade dos deuses, que ajudara os necessitados, etc e
3) o coração do réu era posto na balança em face de uma pena (Maat), símbolo da verdade, para se determinar a exatidão do que afirmara. ANÚBIS, o Deus com cabeça de chacal, é o mediador entre o céu e a terra. Temido pela sua falta de emoção e pela severidade de seu juízo, ninguém escapa às suas sentenças. É também o guardião de ISIS.
Com o estabelecimento do Novo Império (a partir de 1.580 a.C.), a Religião sofre sérias adulterações. Os Sacerdotes se tornaram muito poderosos e exploravam o terror das massas em proveito próprio. Isto levou a uma grande Reforma Religiosa liderada por Amenotep IV, que começou a reinar por volta de 1375 a.C. Ele abandona o Culto de Amon e valoriza o Culto de Aton (antiga denominação do Sol físico). Muda seu nome de Amenotep (“Amon repousa”) para Akhenaton (“Aton está satisfeito”). Estabelece o monoteísmo e constrói Templos Solares, a céu aberto, em Tell al Amarna (então a capital) e Karnak. Em resumo, assim se desenvolveram os Conceitos Religiosos do Egito Antigo e que serviram de base para as posteriores Civilizações dos Gregos e Romanos.Tanto o Panteão Grego como o Romano foram intensamente influenciados pelas Idéias do Paganismo Khemético primitivo.
No próximo Artigo:A Metafísica Khemética sobre os Mundos Sutis.
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Autor do texto: Zoriander de Zolthar

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