terça-feira, 20 de outubro de 2009

O PENTAGRAMA MÁGICO




PENTAGRAMA, O SÍMBOLO MÁGICO...
Das Antigas Tradições até os Dias Atuais
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Por Zoriander de Zolthar

1- Introdução ----

Desde os Primórdios da Humanidade, o Ser Humano sempre se sentiu envolto por Forças Superiores e Trocas Energéticas, que nem sempre soube identificar. Sujeito à perigos e riscos, teve a necessidade de Captar Forças Benéficas para se proteger de seus inimigos e das Vibrações Maléficas da Natureza ou dos Mundos Sutis.
Foi ,então,fabricar e produzir Imagens e Objetos Sagrados, e criou Símbolos Hieráticos para poder entrar em sintonia com as Energias Superiores e as Forças Divinas de Proteção.
Dentre estes inúmeros Símbolos criados pelo homem, se destaca o Pentagrama, que evoca uma Simbologia múltipla, sempre fundamentada no Número 5, que exprime a União dos desiguais. As cinco pontas do Pentagrama põem em acordo, numa união fecunda, o 3, que significa o Principio Masculino, e o 2, que corresponde ao Princípio Feminino. Ele simboliza, então, o Andrógino ou a Força Não-dual da Natureza.
O Pentagrama sempre esteve associado com o Mistério e a Magia. Ele é a forma mais simples de Estrela, que deve ser traçada com uma única linha, sendo conseqüentemente chamado de "Laço Infinito". A Potência e as Associações do Pentagrama evoluíram ao longo da história. Hoje Ele é um Símbolo Onipresente entre os Neo-pagãos, principalmente entre os Wiccans e os Witchcrafter's,com muita profundidade mágica e grande significado simbólico.

2- ORIGENS, RITOS E CRENÇAS --- Um de seus mais antigos usos se encontra na Mesopotâmia, onde a figura do Pentagrama aparecia em Inscrições reais e simbolizava o Poder Imperial dos Lu-Gal e dos Sarrukin,que se estendia "aos quatro cantos do mundo". Entre os Hebreus, o Símbolo foi designado como a Verdade e associado com os cinco livros do Pentateuco (os cinco livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés).
Às vezes é incorretamente chamado de "Selo de Salomão", sendo, entretanto, usado em paralelo com o Hexagrama. Na Grécia Antiga, era conhecido como Pentalpha, geometricamente composto de cinco "As".
Pitágoras, filósofo e matemático grego, grande Místico e Iniciado nos Grandes Mistérios, percorreu o mundo nas suas viagens e, provávelmente,trouxe suas Idéias sobre o Pentagrama do Egito, da Caldéia e das Terras ao redor da Índia.
A geometria do Pentagrama e suas associações metafísicas foram exploradas pelos Pitagóricos, que o consideravam um Emblema de Perfeição. A geometria do Pentagrama ficou conhecida como " A Proporção Dourada", que ao longo da Arte Pós-helênica, pôde ser observada nos projetos de alguns Templos. Para os Gnósticos, o Pentagrama era a "Estrela Ardente" e, como a Lua crescente, um símbolo relacionado à Magia e aos Mistérios do Céu Noturno.
Para os Druidas, era um símbolo divino e, no Egito, era o símbolo do útero da terra, guardando uma relação simbólica com o conceito da forma da pirâmide. Os Celtas Pagãos atribuíam o símbolo do pentagrama à Deusa Morrighan.
Os primeiros Cristãos relacionavam o pentagrama às cinco chagas de Cristo e, desde então, até os tempos medievais, era um símbolo cristão . Antes da Inquisição não havia nenhuma associação maligna ao Pentagrama; pelo contrário, era a representação da Verdade implícita, do Misticismo religioso e do Trabalho do Criador.
O Imperador Constantino I, depois de ganhar a ajuda da Igreja Cristã na posse militar e religiosa do Império Romano em 312 d.C., usou o Pentagrama junto com o símbolo de Chi-Rho (uma forma simbólica da cruz), como seu Selo e Amuleto. Tanto na celebração anual da Epifania, que comemora a visita dos três Reis Magos ao menino Jesus, assim como também a missão da Igreja de levar a verdade aos gentios, tiveram como símbolo o Pentagrama, embora em tempos mais recentes este símbolo tenha sido mudado, como reação ao uso Neo-pagão do Pentagrama.
Em tempos medievais, o "Laço Infinito" era o símbolo da Verdade e da Proteção contra demônios. Era usado como um amuleto de proteção pessoal e guardião de portas e janelas.
Os Templários, uma ordem militar de monges formada durante as Cruzadas, ganharam grande riqueza e proeminência através das doações de todos aqueles que se juntavam à ordem, e amealhou também grandes tesouros trazidos da Terra Santa. Na localização do centro da "Ordem dos Templários", ao redor de Rennes du Chatres, na França, é notável observar um Pentagrama Natural, quase perfeito, formado pelas montanhas que medem vários quilômetros ao redor do centro. Há grande evidência da criação de outros Alinhamentos Geométricos exatos de Pentagramas como também de um Hexagrama, centrados nesse pentagrama natural, na localização de numerosas capelas e santuários nessa área. Está claro, no que sobrou das construções dos Templários, que os Arquitetos e Pedreiros associados à poderosa ordem conheciam muito bem a geometria do Pentagrama e a "Proporção Dourada", incorporando aquele misticismo aos seus projetos.
Entretanto, a Ordem dos Templários foi inteiramente dizimada, vítima da avareza da Igreja e de Luiz IX, religioso fanático da França, em 1.303.
Se iniciaram os tempos negros da Inquisição, das torturas e falsos-testemunhos, de purgar e queimar, esparramando-se como a repetição em câmara-lenta da peste negra, por toda a Europa. Durante o longo período da Inquisição, havia a promulgação de muitas mentiras e acusações em decorrência dos "interesses" da ortodoxia e eliminação de heresias. A Igreja mergulhou por um longo período no mesmo Diabolismo ao qual buscou se opor. O Pentagrama foi visto, então, como simbolizando a cabeça de um Bode ou o Diabo, na forma de Baphomet, e era Baphomet quem a Inquisição acusou os Templários de adorar.
Também, por esse tempo, envenenar como meio de assassinato entrou em evidência. Ervas potentes e drogas trazidas do leste durante as Cruzadas, entraram na Farmacopéia dos Curandeiros, dos Sábios e das Bruxas Camponesas. Curas, mortes e mistérios desviaram a atenção da Inquisição, dos hereges cristãos, para as Bruxas Pagãs e para os Sábios Curandeiros das Aldeias, que tinham o conhecimento e o poder do uso dessas drogas e venenos.
Durante a Perseguição das Bruxas,o Deus cornudo da Fertilidade Animal, Pan-Kernunnos-Faunus, chegou a ser comparado com o Diabo e o Pentagrama - popular símbolo de segurança - pela primeira vez na história, foi associado ao mal e chamado "Pé da Bruxa".
As velhas Religiões e seus símbolos caíram na clandestinidade por medo da perseguição da Igreja e lá ficaram Escondidas em Sociedades Secretas, durante séculos,que preservaram as Antigas Tradições da Witchcraft -Gwyddoncrefft até os Dias Atuais.



3- DO RENASCIMENTO ATÉ HOJE --- As Sociedades Secretas de Artesãos e Filósofos Eruditos, que durante a Inquisição viveram uma verdadeira paranóia, realizando seus Estudos longe dos olhos da Igreja, já podiam agora com o fim do período de trevas da Inquisição, trazer à luz o Hermetismo, Ciência ligada ao Ggnosticismo surgida no Egito, atribuída ao Deus Thot-Hermes ou Mercúrius Termáximus, e formada principalmente pela Associação de Elementos Doutrinários Orientais e Neoplatônicos.
Cristalizou-se, então, um Ensinamento Secreto em que se misturavam Filosofia e Alquimia, Ciência Oculta da "Arte de transmutar metais em ouro". O Simbolismo Gráfico e Geométrico floresceu, se tornou importante e, finalmente, o período do Renascimento emergiu, dando início a uma Era de Luz e Desenvolvimento. Um novo conceito de Mundo pôde ser passado para a Europa renascida, onde o Pentagrama (representação do número cinco), significava agora o Microcosmos, símbolo do Homem Pitagórico que aparece como uma figura humana de braços e pernas abertas, parecendo estar disposto em cinco partes em forma de cruz; o Homem Individual.
A mesma representação simbolizava o Macrocosmo, o Homem Universal - dois eixos, um vertical e outro horizontal, passando por um mesmo centro. Um símbolo de Ordem e de Perfeição, da Verdade Divina. Portanto, "o que está em cima é como o que está embaixo", como durante muito tempo já vinha sendo ensinado nas Filosofias Orientais.
O Pentagrama Pitagórico já não aparece apenas como um Símbolo de Conhecimento, mas também como um meio de Conjurar e adquirir o Poder Mágico.
Figuras de Pentagramas eram utilizadas pelos Magos Medievais para exercer seu poder: existiam Pentagramas de amor, de má sorte, etc.
No calendário de Tycho Brahe "Naturale Magicum Perpetuum" (1582), novamente aparece a figura do Pentagrama com um corpo humano sobreposto, que foi associado aos 5 Elementos.
Agripa (Henry Cornelius Von de Agripa Nettesheim), contemporâneo de Tycho Brahe, mostra proporcionalmente a mesma figura, colocando em sua volta os Cinco Planetas e a Lua no ponto central (genitália) da figura humana. Outras ilustrações do mesmo período foram feitas por Leonardo da Vinci, mostrando as Relações Geométricas do Homem com o Universo.
Mais tarde, o Pentagrama veio simbolizar a relação da cabeça para os quatro membros e conseqüentemente da Pura Essência concentrada do Espírito irradiando-se para os 4 Elementos tradicionais: Terra, Água, Ar e Fogo - o Espírito representado pela Quinta-essência ( a Energia Nwyr dos Druidas ou a "Quinta Essentia" dos Alquimistas).
Na Maçonaria, o homem microcósmico era associado com o Pentalpha (a Estrela de Cinco pontas). O Símbolo era usado entrelaçado e perpendicular ao trono do Mestre da Loja.
As propriedades e estruturas geométricas do "Laço Infinito" foram simbolicamente incorporadas aos 72 graus do Compasso - o emblema maçônico da virtude e do dever.
Nenhuma ilustração conhecida associando o Pentagrama com o mal aparece até o Século XIX. Eliphas Levi (Alphonse Louis Constant) ilustra o Pentagrama vertical do homem microcósmico ao lado de um pentagrama invertido, com a cabeça do Bode de Baphomet ( figura panteísta e mágica do Absoluto).
Em decorrência dessa ilustração e justaposição, a figura do Pentagrama, foi Associada pelos Teólogos Vaticanistas com o conceito do mal.
Contra o racionalismo do Século XVIII, sobreveio uma reação no Século XIX, com o crescimento de um Misticismo novo que muito deve à Cabala, Tradição Antiga do Judaísmo e dos Povos Semitas Arameus, que relaciona a cosmogonia de Deus e universo à moral e verdades ocultas, e sua relação com o homem.
Não é tanto uma Religião mas, sim, um Sistema Filosófico fundamentado num Simbolismo Numérico e Alfabético, relacionando palavras e conceitos. Eliphas Levi foi um expositor profundo da Cabala e instrumentou o caminho para a abertura de diversas Lojas de Tradição Hermética no Ocidente: a Ordem Templi Orientalis (OTO), a Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Golden Dawn), a Sociedade Teosófica, e muitas outras, inclusive as modernas Lojas e Tradições da Maçonaria.
Levi, entre outras obras, utilizou o Tarot como um poderoso sistema de imagens simbólicas, que se relacionavam de perto com a Cabala. Foi Levi também quem criou o Tetragrammaton - ou seja, o Pentagrama com inscrições cabalísticas, que exprime o domínio do Espírito sobre os Elementos, e é por este Signo que se invocavam, em rituais mágicos, os silfos do ar, as salamandras do fogo, as ondinas da água e os gnomos da terra("Dogma e Ritual da Alta Magia" de Eliphas Levi).
A Golden Dawn, em seu período áureo (de 1888 até o começo da primeira guerra mundial), muito contribuiu para a disseminação das raízes da Cabala Hermética moderna ao redor do mundo e, através de escritos e trabalhos de vários de seus membros, principalmente Aleister Crowley, surgiram algumas das idéias mais importantes da filosofia e da mágica da moderna Cabala.
Em torno de 1940, Gerald Gardner adotou o Pentagrama Vertical, como um símbolo usado em Rituais Pagãos. Era também o Pentagrama desenhado nos Altares dos rituais, simbolizando os três aspectos da Deusa mais os dois aspectos do Deus Cornífero, nascendo, então, a nova religião da Wicca Moderna.
Por volta de 1960, o Pentagrama retomou força como poderoso talismã, juntamente com o crescente interesse popular em Bruxaria Tradicional(BT)e Wicca, e a publicação de muitos livros (incluindo vários romances) sobre o assunto, ocasionando uma decorrente reação da Igreja, preocupada com esta nova força emergente.
Um dos aspectos extremos dessa reação foi causado pelo estabelecimento do Culto Satânico - "A Igreja de Satanás" - por Anton La Vay,na década de 60,nos EUA.
Como emblema de sua igreja, La Vay adotou o Pentagrama invertido (inspirado na figura de Baphomet de Eliphas Levi). Isso agravou com grande intensidade a reação da Igreja Cristã, que transformou o Símbolo Sagrado do Pentagrama, invertido ou não, em símbolo do Diabo.
A configuração da Estrela de Cinco Pontas, em posições distintas, trouxe vários conceitos simbólicos para o Pentagrama, que foram sendo associados, na mente dos Neo- pagãos, a conceitos de Magia Branca ou Magia Negra.
Esse fato ocasionou a formação de um forte Código de Ética na Wicca Moderna - que trazia como preceito básico: "Não desejes ou faças ao próximo, o que não quiseres que volte para vós, com três vezes mais força daquela que desejaste."
Apesar dos escritos criados para diferenciar o uso do Pentagrama pela Religião Wicca, das utilizações feitas pelo Satanismo, principalmente nos Estados Unidos, onde os cristãos fundamentalistas se tornaram particularmente agressivos a qualquer movimento que envolvesse Bruxaria e o símbolo do Pentagrama, alguns Wiccanianos se colocaram contrários ao uso deste Símbolo, como forma de se protegerem contra a discriminação estabelecida por grupos religiosos radicais.

Apesar de todas as complexidades ocasionadas através dos diversos usos do Pentagrama, ele se tornou firmemente dentro do Inconsciente Coletivo e da Mitologia Popular um Símbolo indicador de Proteção, Ocultismo e Perfeição.
Suas mais variadas formas e associações em muito evoluíram ao longo da História e se mantêm com toda a sua Onipresença Arquétipica, Significado e Simbolismo,como um dos Signos principais da Bruxaria Tradicional e da Magia Arcana até os dias de hoje.

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